POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Vidros rasgados

                                                               photo by: claudia marcu

não foi a morte que me doeu,
quando rasguei a vida
no umbral das folhas doridas
que plantaram na minha pele!

parti todos os vidros,
que não podia alcançar,
de pés doridos, falecidos de tanto andar,
na cruel assimetria das palavras que não ousei.

não foi a morte que me doeu,
quando quis ir mais além,
dos muros e das pedras que não consegui alcançar.

o que me doeu nos olhos, fechados de tanto penar,
foi esta vida farpada, de sangue e calafrios,
das frases que nunca li.

eduarda



4 comentários:

  1. Eduarda rebienvenida!!!
    traes un poema potente, vidrios y palabras lacerando la emoción confesa
    Felicitaciones,
    irse hacia el hondo de lo hondo con el destino goteando es solo para valientes


    abrazos y buen fin de semana

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  2. Ainda que o tom do poema seja algo "cortante", há nele uma realidade indiscutível: a vida pode doer mais do que a morte, porém é necessário não morrer antes que ela, a morte chegue.

    Bom regresso.

    Lídia

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  3. aplausos de pé..
    saudades!
    cortas na intensidade do sentimento..
    beijos..

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  4. Olá Eduarda,

    Mais um poema com a tua "chancela".Acredita-me, se lesse este poema e, tivesses colocado um pseudónimo , eu questionaria se não seria teu!
    A vida é o nosso laboratório por excelência.Drenamos,colhemos essências,ousamos ser mais forte do que ela.Parabéns.bjs.

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