POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Sem título



 


                                                                                                                         " A felicidade é uma estação intermédia,
entre a carência e o excesso"
Henrik Ibsen


atrás dos sentidos,
existe um vento mistral
arrepiado de confrontos,
no pêndulo diagonal da dualidade.

nas inconscientes silhuetas
desenham-se refrões doridos,
como sentinelas febris em espirais
que lhes trocam os sonos.

há certezas nas marcas
e calafrios nas insónias.

atrás dos sentidos
...há sentidos que se temperam de sal.

eduarda

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Vidros rasgados

                                                               photo by: claudia marcu

não foi a morte que me doeu,
quando rasguei a vida
no umbral das folhas doridas
que plantaram na minha pele!

parti todos os vidros,
que não podia alcançar,
de pés doridos, falecidos de tanto andar,
na cruel assimetria das palavras que não ousei.

não foi a morte que me doeu,
quando quis ir mais além,
dos muros e das pedras que não consegui alcançar.

o que me doeu nos olhos, fechados de tanto penar,
foi esta vida farpada, de sangue e calafrios,
das frases que nunca li.

eduarda