POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

Amigos

sábado, 27 de outubro de 2012

Jejum de ópio


                                                      photo by: Alexander Kharlamov


a leste ou a sul...
pouco importa o momento,
onde a bombordo encontro o pé da morte
e no convés o pensamento...
tédio maldito...
jejum de ópio...
nesta viajem a falar de mim,
com nervos ébrios e cotovelos rotos
no alçapão da condição.
e das confusas sensações
apenas o sossego eu quero...
sem comédias ou equilibristas da vida.

eduarda

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Destino sem memórias

                                                                  photo by: Oleg Oprisco


neste deambular entre a vida e o sonho,
vestida de noites e de manhãs rasgadas de frio,
há adagas que me golpeiam os pés,
espadejando-me a boca com punhos em redor.

queimei a certeza em delírios de insónias,
esticando todos os sentidos,
como se toda a respiração fossem versos de pássaros molhados.

entre o ruído das linhas e as invisíveis palavras da ausência,
retenho nos dedos o destino sem memória,
com cheiro a eternidade,
a hora caída no combate.

eduarda



sábado, 13 de outubro de 2012

Tecendos lamentos


                                                            photo google


que de ti sabes,
que não as pedras que te lançam,
que não as farpas que te corroem as mãos decepadas,
neste mísero estar,
com o olhar cortado no abismo,
com a pele e ossos em escombros.

o véu que te cobre,
é um  encontro com o nada,
um fechar de renúncia à vida que te renega.

e neste chão polvilhado de enigmas que não sabes,
cortas as veias do ar
e morres tecendo lamentos.

Eduarda