POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Entre o nada e o pouco

                                                                  photo by: Oleg Oprisco


entre as tardes e s factos,
há olhares sem textura...
casulos de nostalgia aquém dos ventos,
como se todos os sorrisos fossem um travo amargo
e a mão...um lugar sentado no doer sem preces.

entre o nascer e o morrer,
há uma mágoa iludida,
como se o destino fosse um monge descalço ao sol,
escondido na lama do corredor.

entre o nada e o pouco,
há um instinto lúcido
que adormece visceral
e acorda ao som dos búzios moribundos.

eduarda

sábado, 3 de novembro de 2012

As costas da demência

                                                                photo google


que importam as minhas costas, quando na tua véspera, fui sem silêncio, o fio do gesto , a luz descaída do tudo e nada, a história que não repousei, no colar descaído do conto irreal e do rastro da vela rasgada. nos quilómetro fátuos que hoje andei, há pedras rasgadas na pele, ardidas no campo, antes do tempo navegar a sibila que me calcinará.
de tudo inventei, perseguindo palavras, embalsamando poemas parados no tempo do paradoxo, como futuro encerrado na sombra que sempre me seguiu.
dissequei círculos, transpirei fogos no mais gélido dos oceanos, quando a dormência trágico da ausência se colou na insónia da partida.
e neste vestido sem norma, esperando reticências nos ecos do incenso, construí na pele uma argila de preces, e no perfil a solidão da demência.

Eduarda