POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

Amigos

sábado, 1 de dezembro de 2012

Realidade sem pernas


                                                           photo by ansel adams

era o frio de costas, que se estendia depressa,
dobrando árvores, soterrado no deserto da idade,
pensando com máscaras,
as memórias que hoje são rudes pedras submersas em muros de saudades.

nos movimentos suspensos,
há círculos que envelhecem sem pensar,
reparos sem sentenças no papel pardo e impermeável das horas
que não nos determinam a folha ou a letra,
com medo do tempo que virá.

os cenários das razões, são enfermeiras em voz alta,
que nos trazem uma realidades sem pernas,
onde o queixume é uma simples nostalgia
e a ideia um provérbio acordado,
deambulando numa geografia de infância... num tempo em que havia lembranças.

eduarda