POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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domingo, 22 de setembro de 2013

Ventos negros


                                              photo google

hoje esqueci-me quem sou...o que fui, por onde andei.
perdi-me na obscuridade dos desencontros,
quando quis lançar-me do alto...
para  sentir a vaga morna que me abrigasse,
de um qualquer sistema suicidário.

bati na porta errante...
dormi na falésia desabrida dos uivos dos lobos...
comi todas as areias viajantes...
sentei-me no trono que me rasgou a alma,
num obsceno gesto que me cortou as veias.

tornei-me hoje na romeira intemporal, vestida de ventos negros
sem gritos ou dores...as penas viajaram para o último túmulo
onde me resguardei e onde permaneço.

eduarda






sábado, 11 de maio de 2013

Sem recortes


                                                                photo by google


nesta louca incerteza de não saber quem sou,
sento-me na viela, entre a ferrugem do tempo
e a inócua razão da velha bebedeira,
com meias rotas de horas inacabadas
e um fumo de pó que me entra no braço inerte,
esperando o que me falta, sem saber ao certo o que é.

recorto janelas e paredes, armários e vendavais,
na vã esperança de encontrar o destino,
coisa muita sem relógio de balanço,
que se partiu na despedida, sem me olhar ou me ver.

sem forças para andar, para pensar ou morrer,
envolta no arame farpado dos moribundos,
fico por aqui parada, na lacuna do opaco,
amassando palavras num indiferente incondicional,
sem prantos, sem dores, sem lamentos.

eduarda