POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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sábado, 11 de maio de 2013

Sem recortes


                                                                photo by google


nesta louca incerteza de não saber quem sou,
sento-me na viela, entre a ferrugem do tempo
e a inócua razão da velha bebedeira,
com meias rotas de horas inacabadas
e um fumo de pó que me entra no braço inerte,
esperando o que me falta, sem saber ao certo o que é.

recorto janelas e paredes, armários e vendavais,
na vã esperança de encontrar o destino,
coisa muita sem relógio de balanço,
que se partiu na despedida, sem me olhar ou me ver.

sem forças para andar, para pensar ou morrer,
envolta no arame farpado dos moribundos,
fico por aqui parada, na lacuna do opaco,
amassando palavras num indiferente incondicional,
sem prantos, sem dores, sem lamentos.

eduarda


4 comentários:

  1. Do desânimo que paralisa.
    A disforia percorre o poema "amassando palavras" sem deixar que elas respirem por si.

    Um beijo

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  2. Tuas palavras sempre vem de encontro a minha pessoa.
    Fico feliz por ter aparecido seja sempre bem vinda.
    bjs

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