POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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domingo, 22 de setembro de 2013

Ventos negros


                                              photo google

hoje esqueci-me quem sou...o que fui, por onde andei.
perdi-me na obscuridade dos desencontros,
quando quis lançar-me do alto...
para  sentir a vaga morna que me abrigasse,
de um qualquer sistema suicidário.

bati na porta errante...
dormi na falésia desabrida dos uivos dos lobos...
comi todas as areias viajantes...
sentei-me no trono que me rasgou a alma,
num obsceno gesto que me cortou as veias.

tornei-me hoje na romeira intemporal, vestida de ventos negros
sem gritos ou dores...as penas viajaram para o último túmulo
onde me resguardei e onde permaneço.

eduarda