POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

SEM EXISTENCIA

                                        photo by bauza


há algo que me intriga neste existir...
que me confunde...que me estreita a pele
numa argamassa mistificada de nadas,
onde impera somente o silêncio dos outros.

há algo que me supera,
há o pobre e o rico que me degolam,
que me suturam as veias,
numa epiderme irónica e ressequida.

há neste labirinto rugas amordaçadas
que lhes conferiram na hora da morte...
a herança do não saber existir.

eduarda


quarta-feira, 12 de agosto de 2015

ESTA LOUCURA...

                                                    photo google

esta loucura que tenho leva-me a levar o vento
esbatido no preto,
envolvo em voos persistentes,
mente demente que me adormece a mente.

iço-me no mais alto
procurando no nada os voos nocturnos
da mente...que me desmente.

esta loucura que trago e que desconheço ao dormir
tem a forma da mentira, sem chão, sem brisa, sem ar...

eduarda

terça-feira, 14 de julho de 2015

NO REVES DA ALMA

                                                           photo google

e assim me revejo entre as noites distantes e os dias alinhavados de outras imagens.
são apenas panos de linho, cinzentos ou pardos, tanto faz, sem carimbos de lembranças,
sem debruns nas gélidas mãos.
disfarço-me... como se todo o universo me despisse de nadas,
como se todas as paragens fossem apenas mitos desconvocados por altos deuses...
que me ousaram matar viva.
entre o hoje e e o amanha apenas fios de um vazio dormente, calafrios sem frios nos olhos,
imotos, insalubres.
há apenas neste reencontro um som mascarado, sem raiva, sem absurdos ou interrogações.
entre o hoje e o amanhã há apenas a diferença do passado colado no revés da alma...
onde aprendi a não dormir.

eduarda

quinta-feira, 11 de junho de 2015

TEMPO....



                                                            photo google


no meu passado há um presente...
esbatendo-se nas ondas...
fechado nas mãos.

entre linhas de manha,
tela ao luar da tarde que não cai
revejo as luzes...
recordo o olhar.

cravo os dentes no deserto...
como mito inexplicável dum adeus inquebrável.

nas ruínas do quebranto,
lanço dados aos deuses errantes,
que me fizeram naufragar.

Eduarda



quinta-feira, 4 de junho de 2015



na hora cansada das janelas fechadas
há palavras amorfas, feita de punhais de dores,
há caminhos  lentos, sonambulos...
esperando o pranto.

há nela peregrinos desfeitos de penas,
há sentidos sem sentido...
há lamentos sem gritos.

na hora cansada do nada, sente-se o uivo errante
da morte levante na parede sem preces.

Eduarda