POESIA. EDUARDA DE ANDRADE MENDES

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terça-feira, 14 de julho de 2015

NO REVES DA ALMA

                                                           photo google

e assim me revejo entre as noites distantes e os dias alinhavados de outras imagens.
são apenas panos de linho, cinzentos ou pardos, tanto faz, sem carimbos de lembranças,
sem debruns nas gélidas mãos.
disfarço-me... como se todo o universo me despisse de nadas,
como se todas as paragens fossem apenas mitos desconvocados por altos deuses...
que me ousaram matar viva.
entre o hoje e e o amanha apenas fios de um vazio dormente, calafrios sem frios nos olhos,
imotos, insalubres.
há apenas neste reencontro um som mascarado, sem raiva, sem absurdos ou interrogações.
entre o hoje e o amanhã há apenas a diferença do passado colado no revés da alma...
onde aprendi a não dormir.

eduarda